Há um instante entre o sim e o não,
Entre o "quero" e o "não devo":
É ali, nesse segundo que não pesa,
que se decide tudo — ou nada.
Entre o "quero" e o "não devo":
É ali, nesse segundo que não pesa,
que se decide tudo — ou nada.
Há um furacão que adormece em nós,
À espera de um alô, uma fresta, um acaso.
Mas os dias passam enquanto fugimos,
Enquanto fingimos que o tempo passou.
Há paz em ser minha; há vida em meu abraço.
Mas, se jamais deres o passo, em breve
O anseio pelo chamado se converterá
Na desilusão de não ter sido.
E sequer precisas dar esse passo; basta que chames.
Antes que a chance tenha passado,
A possibilidade se converta em sonho,
E o tempo se torne "nunca mais".
O maior erro não é amar: é fingir que passa.
Porque, quando o corpo pedir e não houver resposta,
Quando a única herança for o arrependimento,
O fim nos lembrará que o início era possível.
***
Quantas vezes já te imaginei chegando?
Quantas madrugadas já chorei
Por um beijo que nem existiu?
Quantos “e se” já enterraram o “sim”?
Um dia, amanhã ou depois,
Terás ido embora,
Terei ficado distante...
E o que hoje poderia ser
O gemido contido do gozo incontrolável
Se tornará o grito silencioso de desespero
Por não mais poder sentir, com fôlego suspenso,
O toque dos meus dedos e o calor dos meus braços.
Não é só pele o que se perde,
nem só sexo o que se adia.
É a alma que aprende a viver sozinha,
O olhar que esquece como brilha ao ver o outro.
É o silêncio que cresce onde havia riso,
A cama que esfria antes mesmo de ser compartilhada,
O nome que morre na garganta
antes de sequer ser sussurrado.
***
Então vem. Ou chama. Ou apenas diga:
“Estou aqui. Tenho medo, mas estou aqui.”
Porque o amor não precisa de certezas.
Precisa de coragem. De um gesto.
De um “sim” que rompa o silêncio.
Vem. Antes que o “talvez” vire “nunca”.
Antes que o “amanhã” vire “tarde demais”.
Antes que o nosso encontro sempre adiado
vire a lenda de um amor que quase foi.
Vem – que eu prometo:
Não seremos dois estranhos
que, um dia, quase se tocaram.
Seremos o instante que o tempo não apagou.
Porque cada verso que você escreveu
Eu já senti.
Já vivi.
Já perdi.
Já desejei de volta.
E quando, enfim, estivermos frente a frente,
Com as mãos tremendo e os olhos cheios,
Só te direi uma coisa – também emocionado:
“Você veio. E o mundo, finalmente, faz sentido.”
🔥💘
Para todos que ainda têm tempo.
Chamem. Vão. Amem.
Antes que o “nunca mais” chegue em silêncio
Chamem. Vão. Amem.
Antes que o “nunca mais” chegue em silêncio