domingo, 19 de abril de 2026

O que eu mais queria era um abraço

 O que eu mais queria era um abraço
A pele se deixando tocar, 
O sentir-se envolvido sem estar preso, 
O encontrar o mundo nos braços alheios 

O que eu mais queria, mesmo, 
Era sentir a lágrima caindo e encontrando colo, 
Sem perguntas e sem pressa:
Apenas cumplicidade e abrigo.

Um abraço. O melhor jeito de dizer:
"Estou aqui, com você, 
E isso não basta, mas alivia, 
Pelo menos nesse instante."

Abraço - a alma aberta, sem malícia,
Amizade num gesto, que conforta
Uma cabeça cheia de derrotas e incertezas,
Um corpo que já vive no último fio.

E talvez esse abraço me desse a certeza
de que algum alívio ainda é possível,
Nos dias em que a alma cansa antes do corpo,
E que o choro pudesse vir sem freio,
E que a paz fosse possível, ao menos naquele momento.

Ah, minha amiga! Um abraço, para dar suporte
A mães que passam tanto tempo
Sustentando o céu com os ombros
Que se esquecem de que também podem desabar.

E que você soubesse que, nesse mundo-tempestade,
Há um casebre em pé, entre os meus braços,
Te ajudando a lidar com tudo:
Criança doente, família infeliz, abandono e dor.

E que, nesse casebre, você pode se despir
De toda culpa plantada por este mundo bruto,
E que, assim como o seu bebê, tão sensível,
Você também merece colo.

Merece ser cuidada, e saber 
Que não precisa ser forte sempre,
Que tem muitas pessoas para as quais 
Você é radiante, luminosa, importante.

E eu, que tanto queria poder acabar
Com todos os seus problemas,
E te apertar até que as sombras fossem embora,

Hoje, longe, tudo o que minhas mãos alcançam,
E que posso te dar, é este poema, 
Mas tudo o que eu mais queria
Era poder te dar um abraço.